Em São Paulo, trânsito já mata mais que as armas

fevereiro 25, 2011

Apesar de a cidade de SP ter registrado queda de 9% nos chamados acidentes de transporte entre 1998 e 2008, na população paulista, em geral, já é mais fácil morrer em um acidente com um veículo do que por homicídio.
Segundo o Mapa da Violência 2011, os óbitos em acidentes de transporte entre a população brasileira passaram de 30.994 em 1998 para 39.211 em 2008, um salto de 26,5% – no universo jovem, o crescimento foi de 32,4%. Na faixa dos 20 anos, o aumento foi ainda maior: 43,7%. A taxa de óbitos entre os jovens de 20 anos chegou a 34,6 por 100 mil, ante 27,1 por 100 mil dez anos antes.
Em 2008, morreram diariamente 107,1 pessoas vítimas de acidente de transporte em todo o País – dessas, 24,3 eram jovens; 82,8, não jovens. Os acidentes de transporte representaram 19,3% dos óbitos juvenis no Brasil. No Estado de São Paulo, o índice chegou a 26,7%, superando o de homicídios na região (24,4%).Para o sociólogo e pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, uma série de fatores explica o aumento da vitimização juvenil. “A fiscalização não alcança o nível que deveria e há outras questões, como o abuso de álcool, a facilidade de acesso a carros e a utilização de motocicletas, que são mais arriscadas”, comenta.


Bus Roots: Plantas no teto de ônibus

fevereiro 23, 2011

Um concurso chamado DesignWala Grand Idea Competition, está premiando vários projetos de design sustentável. Um dos finalistas é o Bus Roots, do designer Marco Antonio Castro Cosio. Seu projeto pretende plantar 35 acres (cerca de 14,16 hectares) de plantas suculentas no teto de 4.500 ônibus da metrópole americana. O objetivo é “recuperar espaços esquecidos, aumentar a qualidade de vida e fazer crescer a quantidade de espaços verdes na cidade”. A ação também combateria o efeito da “ilha de calor” – no qual fatores como concentração de poluição, excesso de obras de concreto e carência de vegetais tornam a área urbana mais quente que o normal. Telhados verdes e jardins verticais têm sido utilizados como solução para dar vida à áreas com limitações de espaço e predomínio do cinza. No entanto, mesmo que os telhados verdes e jardins verticais possam ser adicionados a todas as casas e prédios da cidade, as ruas não podem ser revestidas com materiais vivos. O primeiro protótipo foi instalado no telhado do BioBus. É o primeiro ônibus com um sistema CVL. Ele viaja há cinco meses ao redor de New York City e em Ohio. Como benefícios, o autor lista: Valor estético; Mitigação dos efeitos ilha de calor urbano; Acústica e Isolamento térmico; Redução da água da chuva; Absorção de CO2 ; Gestão das águas pluviais; Educação e Recreação. Reconectando comunidades urbanas com a natureza de uma forma prática e lúdica, o Bus Roots é um projeto público que utiliza plantas como um meio criativo. Ele conecta os cidadãos com a sua comunidade ao tentar usar a menor quantidade de recursos para a melhoria da qualidade do ambiente em torno dele.


Atropelado pela ditadura do automóvel

fevereiro 12, 2011

Que a cidade é feita pra carros já não é novidade. Desde que o modelo de desenvolvimento econômico foi baseado no crescimento da indústria automobilística estamos reféns dessas máquinas que nos transportam. Mas hoje em dia o transporte é o que menos importa no automóvel. Ele é uma extensão do ser humano motorizado. Algumas vezes extensão da masculinidade, noutras representa a força, o poder, o direito ao espaço e à locomoção veloz e confortável. E nisso as calçadas diminuem, e se fazem novas faixas pra carros, e viadutos, e estacionamentos e postos de combustível. Ano passado mais de 3 milhões de veículos novos foram emplacados no Brasil.

Vivemos a ditadura do automóvel.. quem manda são eles. Estão presentes na maior parte do dia por todos os lados. O trânsito monitorado, a preocupação com engarrafamentos, os pedágios, os mecânicos, os radares, as condições das estradas, enfim. Eles permeiam o pensamento de seus proprietários. É IPVA, é o estacionamento, manutenção, a água, o óleo, o seguro, o carro, o carro, o carro. Muita gente passa mais tempo no carro do que em qualquer outro lugar.

Mas enfim.. esse blá, blá, blá todo é só pra dizer que fui atropelado por uma dessas máquinas velozes que disputam espaço nas ruas de SP. Ando de bike há algum tempo por achar a melhor forma de me locomover.. chego com uma certa tranquilidade aos lugares, sem ficar parado no transito e sem ter a preocupação que traz o automóvel.

Só que um ser humano motorizado decidiu invadir a rua onde eu descia pedalando tranquilamente, e entrou na contra mão por não querer esperar que um ônibus descarregasse gente na calçada.. bati de frente com a máquina. Eu.. nu.. em cima de uma bicicleta.. sem escudo.. fui arremessado a alguns metros.. bati cabeça, joelho, braços, costas, mãos e rompi os três ligamentos do ombro direito.. terei que passar por uma cirurgia pra ver se coloco tudo de volta no lugar.. o carro teve sua placa amassada..

Resumindo.. não ande, não pedale.. dirija.. aí terá o espaço respeitado.. estendendo seu sucesso em quatro rodas.. sua masculinidade.. sua feminilidade.. aí você coloca um desse óculos escuros que cobrem o rosto todo e pode se sentir livre desfilando seu automóvel.


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